Nas últimas semanas, o tema dos arquétipos de liderança em produto ganhou destaque. Em conversa com Christian Idiodi no episódio de 21/08 do podcast Product Therapy, Shreyas Doshi apresentou três estilos de liderança de produto: o craftsperson, o operador e o visionário. Poucos dias depois, Marty Cagan comentou o mesmo tema em um artigo publicado na SVPG, em 27/08.
Ambos são excelentes para entendermos melhor o que compõe uma boa liderança de produto. Explicam o que são esses arquétipos, como uma pessoa pode tender mais para uma ou mais para outra, que a habilidade de craftsperson é a base para qualquer líder de produto e como devemos saber usar cada uma dessas habilidades a depender do contexto onde estamos.
Contudo, como gosto muito de ler e de escrever, quando me deparei com o termo “arquétipo”, senti um certo desconforto. A palavra pode dar a falsa impressão de que líderes são definidos por um único tipo — quase como se fosse um carimbo imutável.
Na prática, liderança em produto é mais dinâmica. Uma boa líder precisa reconhecer sua preferência natural, mas também cultivar habilidades nas três frentes para ser eficaz em diferentes contextos.
O termo arquétipo traz duas leituras limitantes:
Essa interpretação pode levar líderes a se acomodarem apenas no que já dominam, empresas a contratarem perfis repetidos e times a ficarem desequilibrados.
Shreyas propõe o uso do termo “chapéus” como alternativa a “arquétipos”, mas esse termo também tem limitações, uma vez que só usamos um chapéu por vez, e há situações em que a líder de produto precisará usar simultaneamente habilidades de mais de um chapéu. Além disso, o chapéu também não evolui.
Durante toda a minha carreira, percebi a necessidade de utilizar simultaneamente habilidades que pertencem a diferentes arquétipos e sempre busquei me desenvolver nas habilidades de liderança em que estava aquém do necessário.
Por isso, prefiro tratar essas habilidades não como pertencentes a “arquétipos”, mas sim a “dimensões” da liderança de produto:
Ao encarar como dimensões:
Tanto o artigo do Marty Cagan quanto a conversa de Shreyas Doshi com Christian Idiodi são contribuições valiosas para refletirmos sobre liderança em produto. Eles ajudam a identificar preferências, superpoderes e contextos em que cada estilo faz mais sentido.
Meu ponto aqui não é discordar, mas complementar: ao invés de enxergarmos arquétipos fixos, podemos olhar como dimensões da liderança de produto. Cada líder tem sua preferência natural, mas a eficácia está em saber equilibrar craft, visão e operação conforme o contexto e as necessidades do produto e evoluir as habilidades em que somos fracos para nos tornarmos pessoas líderes mais completas e, consequentemente, melhores.
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