Este é o segundo artigo de uma série sobre o papel estratégico do RH no desenvolvimento da liderança e da maturidade de produto nas empresas.
No primeiro artigo, argumentei que maturidade de produto não é apenas uma questão técnica. É também uma questão de liderança e, portanto, envolve diretamente o RH.
Mas existe um passo adicional que costuma fazer uma grande diferença nas organizações: quando o RH passa a compreender, de fato, a lógica de funcionamento de produtos.
Durante muito tempo, produto foi visto como um território essencialmente técnico. Algo que dizia respeito à engenharia, à tecnologia ou, mais recentemente, aos Product Managers. Essa percepção ainda é comum.
Em muitas empresas, quando o tema envolve discovery, priorização ou decisões de roadmap, o RH tende a se manter distante. A sensação é de que se trata de uma conversa especializada demais, que pertence exclusivamente à área de produto.
Contudo, quando o RH decide entender essa linguagem, algo muda e para melhor. Não se trata de se tornar especialista em discovery ou em métricas de produto. Trata-se de compreender o suficiente para participar das conversas que realmente definem como a organização funciona.
Quando o RH começa a entender conceitos como outcome, discovery ou autonomia de equipes, o seu posicionamento dentro da organização muda. As conversas deixam de ser apenas sobre políticas ou programas. Passam a incluir discussões sobre como a empresa decide, como aprende e como mede impacto.
CTOs e CPOs passam a enxergar o RH de forma diferente nesse momento. Não mais como uma área de suporte, mas como um parceiro capaz de estruturar os mecanismos organizacionais que sustentam a prática de produto.
Esse movimento também muda a relação com o CEO.
Transformação digital e evolução da maturidade de produto costumam ser tratados como agendas tecnológicas. Mas, à medida que a organização amadurece, fica claro que além das questões tecnológicas, há a necessidade de mudança comportamental.
E o que muda comportamento são sistemas de liderança, critérios de decisão e incentivos organizacionais.
Quando o RH compreende a lógica de produto, ele passa a contribuir diretamente em decisões que moldam o funcionamento da organização.
Por exemplo:
Esses elementos costumam parecer periféricos quando a conversa está centrada apenas na estrutura técnica. Mas, na prática, são eles que sustentam, ou limitam, a maturidade de produto.
Por isso, nas organizações que avançam de forma mais consistente, o RH não apenas participa da agenda de produto. Ele passa a falar a língua de produto. Não para substituir a liderança técnica, mas para construir com ela o modelo de liderança que a organização precisa. Quando isso acontece, a maturidade de produto deixa de ser uma iniciativa restrita à área de tecnologia. Passa a ser uma agenda organizacional. E agendas organizacionais, por definição, sempre envolvem liderança e cultura.
No terceiro e último artigo desta série sobre RH e Cultura de Produto, vou explorar um aspecto que raramente aparece nessa discussão: o custo de não desenvolver líderes de produto.
Porque, em muitas empresas, esse custo já está presente, apenas ainda não aparece claramente nas planilhas.
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Na Gyaco, acreditamos no poder das conversas para promover reflexão e aprendizado. Por isso, temos o podcast Produto em Pauta, que explora o universo de gestão de produtos por ângulos diferentes:
Disponível no YouTube e no Spotify. Gravada em português e, no YouTube, com legendas em inglês.
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