
É curioso como a resistência à IA tem aparecido mais forte justamente nos times de produto e de engenharia.
Esse é um padrão que já apareceu em conversas com mais de uma cliente.
O discurso costuma ser técnico, tipo “isso não é código de produção”, “a qualidade é ruim”, “serve só para brincar”. Mas, muitas vezes, o incômodo real não é com a ferramenta, e sim com o receio de perda de trabalho.
A ironia é que a IA não reduz o trabalho de boas pessoas de produto e de engenharia. Ela aumenta. O trabalho muda: menos execução, mais decisão e estratégia, com alta velocidade em testes e experimentos.
Cultura nada mais é do que a forma como um grupo de pessoas reage às situações e resolve problemas. É o modelo de operação de um time.
Quando o time opera em modo projeto (feature team), ele recebe solução e executa o que foi pedido. Nesse modelo, IA parece uma ameaça porque acelera e até substitui, exatamente o que o time faz: entregar.
Quando o time opera em modo produto (time empoderado), ele recebe um problema para resolver e o resultado esperado. Nesse modelo, a IA vira aliada imediata, pois amplia opções, acelera testes e reduz o custo de experimentar.
A pergunta, então, não é se “o time está resistindo à IA?”.
É se “o time está operando como projeto ou como produto?”
E, principalmente: “o time está recebendo o contexto estratégico necessário (visão, estratégia e problemas a resolver) para poder usar IA como alavanca de decisão, experimentação e entrega de resultado?”
Engana-se quem acha que o papel da liderança é só incentivar ou dar o exemplo no uso de IA. Fazer isso é super importante. Inclusive, gosto de citar uma cliente minha cujo CTO e a diretora de tecnologia passavam os fins de semana brincando com ferramentas de vibe coding e, depois, compartilhavam as experiências com todo o time. Uma ótima maneira de incentivar todos a experimentarem com as novas ferramentas.
Contudo, fazer isso não é o suficiente.
Para que o time trabalhe no modo de operação de produto, ele precisa ter o contexto estratégico do produto, ou seja, precisa saber:
É o que está descrito na imagem abaixo:
No fim, adotar IA não é uma decisão técnica. É uma decisão de modelo de trabalho. E essa escolha é da liderança.
Ajudo empresas e lideranças (CPOs, heads de produto, CTOs, CEOs, tech founders e heads de transformação digital) a conectar negócios e tecnologia por meio de treinamentos e consultoria focados em gestão de produtos e transformação digital.
Na Gyaco, acreditamos no poder das conversas para promover reflexão e aprendizado. Por isso, temos dois podcasts que exploram o universo de gestão de produtos por ângulos diferentes:
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