Nas últimas semanas, apresentamos a ReveLumi como uma ferramenta de pesquisa qualitativa. Uma boa ferramenta, rápida, com IA. E foi assim, sem querer, que colocamos a ReveLumi na categoria errada, e fizemos quem nos ouvia entender de forma equivocada o que estávamos construindo.
Quando alguém ouve “ferramenta de pesquisa”, a cabeça compara automaticamente com outras ferramentas de pesquisa. Dovetail, Qualtrics, User Interviews. E ferramenta nova compete com ferramenta que já existe ou com o jeito que a pessoa já resolve isso hoje, então vira mais fácil dizer “interessante, vou ver depois”.
Vimos essa reação com quem já trabalha com pesquisa dentro das empresas. Interesse real, algumas toparam testar, e sumiram depois. Nossa hipótese é que faltou o que compete de verdade com a ReveLumi: a decisão travada por falta de informação de cliente. Enquanto apresentamos a ReveLumi como ferramenta, competimos com outras ferramentas.
Só que a ReveLumi não é uma ferramenta que ajuda a fazer o trabalho de pesquisa. Ela faz o trabalho de pesquisa.
Está surgindo uma nova categoria de produtos, batizada de Service as Software, que vem ganhando força no mercado. Segundo a Y Combinator:
“Historicamente, serviços viraram software SaaS. Mais recentemente, viraram copilotos de IA. […] O que nos empolga agora é o próximo passo: empresas nativas de IA que não vendem software, vendem o serviço. Em vez de te dar uma ferramenta, elas simplesmente fazem o trabalho.”
SaaS (Software as a Service) te dá uma ferramenta para você fazer a tarefa mais rápido. No caso da pesquisa qualitativa, você precisa recrutar, agendar, entrevistar, e analisar, só que com um software ajudando em cada etapa.
Por outro lado, com um SaS (Service as Software), em vez de uma ferramenta para ajudar a fazer, ele faz o trabalho por você. Você não precisa saber conduzir uma entrevista qualitativa. A ReveLumi conduz.
Já dá para ver isso em outros lugares. A Sierra não vende um software de atendimento para o time de suporte operar; a agente dela conversa diretamente com o cliente final e resolve o problema, e a empresa cobra por ticket resolvido, não por licença de acesso.
Outro ponto importante é a forma de cobrança. Em vez de cobrar por usuária utilizando a ferramenta, os SaS cobram por tarefa concluída.
A ReveLumi, sem a gente ter nomeado isso, sempre cobrou do mesmo jeito. Não cobramos por usuária que acessa o painel. Cobramos por entrevista com insight, que é a tarefa concluída. Nosso modelo de cobrança já mostrava que somos SaS.
Curiosamente, essa não é a primeira vez que a gente faz isso sem nomear. Um produto anterior nosso, uma astróloga virtual, também era um SaS: a pessoa não usava uma ferramenta para aprender a interpretar o próprio mapa astral. Ela conversava com uma agente que prestava o serviço de interpretação do mapa astral e respondia às perguntas.
Um ponto interessante para observarmos no mercado é que há SaS que são cobrados por assinatura por usuário, como Lovable e Replit. Você descreve o que quer, e o agente escreve o código sozinho, sem você precisar programar. Mas a cobrança ainda é meio SaaS: assinatura mensal fixa, mais uma camada de créditos por uso. E essa camada de créditos é ainda mais nebulosa, pois não cobra por tarefa feita, mas sim por poder computacional consumido. É como se a Netflix te cobrasse variável pela quantidade de energia elétrica consumida enquanto você assiste a séries e filmes.
Isso muda a pergunta que a pessoa faz para decidir se precisa de você, bem além da semântica.
Como SaaS, a pergunta é “essa ferramenta vai me ajudar a fazer o meu trabalho melhor e mais rápido?”.
Como SaS, a pergunta vira “vale mais a pena eu mesma fazer isso, contratar alguém para fazer, ou deixar a agente fazer?”.
No caso da ReveLumi, devemos pensar sobre a alternativa de não usar nossa agente: o próprio tempo da pessoa, ou o custo de contratar.
Percebemos que essa mudança de SaaS para SaS também muda quem sente a dor. Quem já tem um processo de pesquisa estruturado, um time de ResearchOps, por exemplo, tende a nos ver como ferramenta, e uma ferramenta nova compete com uma que já funciona. Já quem sofre para fazer pesquisas com usuárias pelas dificuldades todas do trabalho de entrevistá-las, provavelmente se ressente de ter que fazer esse trabalho, não de uma ferramenta melhor para fazer um trabalho que já faz. Para essa pessoa, a pergunta talvez sempre tenha sido: quem pode fazer isso por mim?
Achávamos que estávamos competindo com ferramentas de pesquisa. Estávamos, na real, competindo com não fazer pesquisa nenhuma ou com contratar alguém para fazer.
Num mundo onde a IA nivela a execução, o conhecimento profundo da sua cliente é o único ativo que o concorrente não consegue copiar. A ReveLumi foi criada exatamente para isso. Conheça em revelumi.com.
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