Inovação: Próximos Passos

Uma vez que você descobriu um problema de um conjunto de pessoas, aprofundou-se no entendimento desse problema, no contexto onde ele acontece e nas motivações que as pessoas têm para que esse problema seja resolvido, analisou a oportunidade em mais detalhes para avaliar se vale a pena desenvolver seu produto digital, e avaliou como você poderá cobrir os custos do seu desenvolvimento e de sua operação, chegou a hora de realmente desenvolvê-lo.

Existe uma quantidade enorme de livros que falam sobre o assunto e, se eu fosse também falar do assunto aqui, este livro provavelmente dobraria de tamanho. Por isso, prefiro dar algumas referências de livros que acho interessantes sobre esse tema. Aliás, desenvolvimento de um produto digital tem sido um tópico muito explorado em inúmeros textos, palestras e livros que falam sobre startups. De uma certa forma, startup e desenvolvimento de produto digital podem ser considerados sinônimos.

Guia da Startup

O primeiro livro que vou indicar é o Guia da startup: como startups e empresas estabelecidas podem criar produtos web rentáveis, publicado em 2012 pela Casa do Código, de autoria deste que vos escreve, e atualmente sendo traduzido para o inglês. Nesse livro, falo sobre inúmeras técnicas de desenvolvimento de produto de software e as ilustro com exemplos práticos baseados na minha experiência com o ContaCal e com a Locaweb, e em conversas que tive com pessoas responsáveis pelo desenvolvimento de produtos de software de outras empresas.

Nele, falo de vários assuntos relacionados a desenvolvimento de produto de software, tais como:

  • Problema ou necessidade? Qual é a diferença entre problema e necessidade? Devo me focar em resolver um problema ou atender uma necessidade?
  • Produto web, mobile ou social? As pessoas têm passado cada vez mais tempo em mobile e em redes sociais. Devo focar meu produto de software na web ou em mobile primeiro? Ou será que é melhor fazer logo uma aplicação para o Facebook?
  • O que é MVP? O que caracteriza um produto ser minimamente viável? Viável para quem e para quê?
  • Por que é preciso lançar logo? Você já deve ter ouvido falar que quanto mais rápido você lançar seu produto de software, melhor. A primeira explicação que vem à mente quando pensamos nisso é o custo de desenvolvimento, ou seja, quanto mais rápido lançarmos, menos vai nos custar. Contudo, na minha visão, essa não é a principal razão. Existem outras mais importantes.
  • Como fazer rápido seu produto web? Depois de entender por que é importante desenvolver seu produto de software rapidamente, a próxima preocupação é como acelerar esse desenvolvimento.
  • Como definir o preço certo? Você vai cobrar pelo seu produto? Quanto? Quando?
  • Plano grátis vale a pena? Existem vários produtos de software que oferecem plano grátis. Será que vale a pena para qualquer tipo de produto de software? Se não, que tipo de produto de software se beneficia da oferta de um plano grátis?
  • Checklist de lançamento. Ok, está tudo pronto para lançar seu produto de software. Está mesmo? É sempre bom checar se está tudo em ordem antes de “abrir as portas”.

Mais sugestões de leitura

A seguir, há mais dicas de leitura sobre desenvolvimento de produto de software, em ordem de importância:

Lean Inception: Saiba como alinhar pessoas e construir o produto certo, de Paulo Caroli, onde ele compartilha uma sequência de atividades rápidas e efetivas para entender e planejar a criação de produtos enxutos, baseadas no conceito de produto mínimo viável.

Getting real: the smarter, faster, easier way to build a successful web application, de Jason Fried, David Heinemeier Hansson e Matthew Linderman. Esse livro conta como o pessoal da 37signals fez seus produtos de sucesso.

The entrepreneur’s guide to customer development: a cheat sheet to The Four Steps to the Epiphany, de Brant Cooper e Patrick Vlaskovits. Steve Blank, empreendedor em série do Vale do Silício, escreveu um livro intitulado The Four Steps to the Epiphany: successful strategies for products that win, que trata de startup de forma genérica, mas que cria um conceito muito importante, o de customer development (desenvolvimento do cliente). De acordo com sua experiência, startups não morrem pela dificuldade em fazer um bom produto, mas sim pela dificuldade em encontrar clientes para ele. Daí a ideia de buscar e desenvolver o cliente antes de desenvolver o produto. O problema é que o livro do Steve Blank é bem denso, então Brant e Patrick fizeram um excelente resumo de 104 páginas onde explicam em detalhes o conceito de customer development.

Where good ideas come from: the natural history of innovation, de Steven Johnson, autor de vários livros interessantes sobre ciência e conhecimento. Nele, ele explica quais os principais ingredientes da inovação, sendo um dos mais importantes a necessidade de equipes multidisciplinares para que seja possível ver o mesmo problema com diferentes perspectivas.

The little black book of innovation: how it works, how to do it, de Scott D. Anthony, sócio junto com o Prof. Clayton Christensen de uma empresa de consultoria em inovação chamada Innosight. Nesse livro, ele define inovação como algo diferente que tem impacto. A partir daí, ele mostra um guia passo a passo para encontrar e testar oportunidades de inovação.

Crossing the chasm: marketing and selling high-tech products to mainstream customers. Escrito em 1991, Geoffrey Moore escreveu o já mencionado livro onde ele explica que entre os early adopters (entusiastas) e a early majority (pragmáticos) existe um abismo que muitos produtos não conseguem cruzar, já que estes precisam de boas referências para poder comprar um novo produto e aqueles normalmente não são boa referência. Neste livro, Moore também propõe estratégias baseadas em estratégias de guerra.

Running lean: iterate from Plan A to a plan that works de Ash Maurya. Em 2010, Alexander Osterwalder e Yves Pigneur apresentaram um novo framework para analisar modelos de negócio, o Business Model Canvas (BMC). Gosto bastante desse framework, só que o BMC me parece mais focado para empresas já em andamento e não para startups. Em 2012 Ash Maurya cria um framework a partir do Business Model Canvas, só que mais aplicável a novos negócios pois fala em problema, solução e métricas.

The lean startup: how today’s entrepreneurs use continuous innovation to create radically successful businesses, de Eric Ries, muito amigo do Steve Blank. Esse livro foi resultado do blog Startup Lessons Learned que ele escreveu e continua escrevendo sobre as suas experiências com sua startup. Também é focado em startups de forma geral, não só em startups de produto de software. Chega até a falar sobre startup de uma ONG, de conceitos bastante conhecidos como o MVP (Minimal Viable Product, ou Produto Mínimo Viável) e do ciclo de feedback Build- Measure-Learn (Construa-Meça-Aprenda). Foi lançado em português recentemente com o título A startup enxuta.

Boa leitura, bom desenvolvimento de produto e prepare-se para a próxima fase: o crescimento (ou o abismo…), que é o próximo assunto que veremos.

Gestão de produtos digitais

Este artigo é mais um capítulo do meu livro Gestão de produtos: Como aumentar as chances de sucesso do seu software, onde falo sobre o que é gestão de produtos digitais, seu ciclo de vida, que ferramentas utilizar para aumentar suas chances de sucesso. Você também pode se interessar pelos meus outros dois livros:

Mentoria e aconselhamento em desenvolvimento de produtos digitais

Tenha ajudado várias empresas a extrair mais valor e resultados de seus produtos digitais. Veja aqui como posso ajudar você e a sua empresa.

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