
Este artigo é um trecho do livro “Transformação digital e cultura de produto: Como colocar a tecnologia no centro da estratégia da sua empresa“.
Um erro bastante comum que podemos cometer quando utilizamos OKRs é conectar o atingimento dos OKRs com algum tipo de bonificação financeira. Não devemos fazer isso pois quem define os OKRs são os times. Se atrelarmos algum tipo de recompensa financeira pelo atingimento de OKRs, obviamente o time vai definir OKRs mais fáceis de serem atingidos.
Devemos ter metas claramente definidas para pagamento de bônus. Os OKRs devem servir como ferramenta para atingimento dessas metas, e essas metas devem servir de foco para definição dos OKRs. Na Lopes, tínhamos PLR (participação nos lucros e resultados) com base em metas de receita e lucro, e definíamos OKRs que nos ajudassem a chegar a essas metas.
Quando é uma única pessoa, ou um time pequeno, é fácil definir e implementar OKRs. Já em times grandes, com tribos e squads, definir e implementar OKRs pode ser uma tarefa bastante complicada. Minha recomendação nessa situação é que devemos ter alguém responsável por coordenar esse processo de definição dos OKRs, com o objetivo de ajudar os times a conectarem seus OKRs com os objetivos estratégicos da empresa, e de encontrar sinergias, dependências e sobreposições. Em uma tribo com 4 squads, cada squad pode definir seus OKRs, mas a(s) líder(es) da tribo deve(m) verificar se esses OKRs estão alinhados com os objetivos estratégicos e ajudar a resolver as dependências.
Quando eu estava na Lopes, eu tinha em meu time do Lopes Labs uma liderança de engenharia, uma liderança de produtos técnicos (dados e arquitetura), uma de marketing e 5 lideranças de tribos. Quando estávamos a duas semanas de terminar um trimestre e começar o seguinte, começávamos a trabalhar na definição dos OKRs do trimestre seguinte. Cada um desses líderes trabalhava com seus respectivos times na definição dos OKRs. Depois os trazíamos em nossa reunião de liderança, que acontecia 3 vezes por semana, na qual cada líder apresentava para todos os outros seus OKRs e discutíamos o alinhamento com nossos objetivos estratégicos, bem como eventuais dependências e sobreposições.
No 4º trimestre de 2020, o primeiro trimestre que rodamos com OKRs no Lopes Labs, a lista inicial completa tinha 45 objetivos com 130 KRs. Dessa lista completa, selecionávamos os OKRs que acompanharíamos em nossa reunião semanal, que ficaram em 12 objetivos e 53 KRs. Alguns objetivos estavam sobrepostos, e outros decidimos que eram objetivos muito específicos do time, e não haveria benefício em trazê-los para acompanhamento de todo o time.
Durante aquele trimestre, uma vez que definimos os OKRs, marcamos uma reunião com a diretoria da Lopes para apresentá-los e colher feedback. Aí fazíamos o check-in semanal somente entre nós, líderes do Lopes Labs. No trimestre seguinte, o 1º trimestre de 2021, mantivemos uma reunião com a diretoria para apresentar os OKRs, mas optamos por abrir a reunião de check-in semanal para todas as pessoas do Lopes Labs. Foi uma oportunidade de ter outras pessoas dos times apresentando os OKRs, e não somente a liderança. Já no 2º trimestre de 2021, decidimos não mais fazer a reunião de apresentação dos OKRs para a diretoria e optamos por convidar não só a diretoria, mas toda a liderança da Lopes para participar de nosso check-in semanal de OKRs.
Um ponto interessante para comentar é que o time de RH que acompanhava o Lopes Labs decidiu nos acompanhar no uso dos OKRs logo no primeiro trimestre em que começamos a utilizá-los, e compartilhava conosco seus objetivos e resultados-chaves. Depois o RH acabou levando essa ferramenta para o restante do RH e para outras áreas da empresa, como Operações e Jurídico.
OKR é uma ferramenta bastante poderosa para ajudar na execução da estratégia, mas, apesar de poderosa, é somente uma ferramenta. Ela existe para nos servir. Não somos nós que servimos aos OKRs. Tome cuidado com frases parecidas com “se não está nos OKRs, eu não vou fazer…”, pois demonstram que a pessoa está servindo à ferramenta. Outro ponto importante para tomar bastante cuidado é não atrelar o atingimento dos OKRs a algum tipo de bonificação financeira, para evitar a definição de OKRs muito tímidos, que pouco vão ajudar na execução da estratégia e no atingimento de sua visão.
Esse artigo é mais um trecho do meu livro mais recente “Transformação digital e cultura de produto: Como colocar a tecnologia no centro da estratégia da sua empresa“, que vou também disponibilizar aqui no blog. Até o momento, já publiquei por aqui:
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