Na semana passada, estive com uma cliente da Gyaco, trabalhando no Programa de Maturidade de Produto. Em uma das conversas, com a head de RH, falamos sobre algumas pessoas da organização que poderiam ser movidas para a função de gestão de produto.
Em um determinado ponto da conversa, ela abriu na tela as análises DISC dessas pessoas e perguntou qual perfil DISC indica que alguém vai performar bem como PM.
DISC é um teste de personalidade bastante utilizado por times de RH, que organiza tendências de comportamento em quatro eixos: Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade. A base vem de estudos do psicólogo Marston nos anos 1920, e o teste, no formato que usamos hoje, foi criado por Walter Clarke em 1945.
A maioria das pessoas combina os quatro eixos em proporções diferentes, e o resultado indica qual tendência pesa mais no dia a dia de trabalho.
Antes de responder qual o melhor perfil DISC para uma product manager, vale uma ressalva bem importante: DISC não prevê desempenho. Ele descreve uma tendência de comportamento, não uma competência.
Uma pessoa com qualquer combinação de D, I, S e C pode ser uma boa PM. O que o DISC mostra é onde o esforço vai ser menor e onde vai ser maior, e isso já ajuda na decisão de carreira e no plano de desenvolvimento.
PM vive de influência sem autoridade formal. A pessoa não manda em ninguém e precisa convencer engenharia, design, vendas, CS a seguir uma direção. Isso exige bastante I, porque é I que sustenta a capacidade de evangelizar ideias e manter o time engajado em torno de uma visão.
PM também vive de discovery. Ouvir cliente, tolerar ambiguidade, resistir ao impulso de sair construindo solução antes de entender o problema. Isso pede S. Sem S, a tendência natural é pular a escuta e ir direto pra execução.
C entra pelo rigor analítico e pelo critério de priorização. D entra também, só que em dose menor do que o senso comum espera. Decisão sem autoridade formal, quando vem de D muito alto sem I que acompanhe, tende a gerar fricção em vez de adesão.
Em resumo, para uma pessoa PM, faz sentido buscarmos D moderado, I alto, S entre moderado e alto e C moderado.
Já para uma pessoa que irá atuar como head de produto, há uma mudança de jogo. O escopo vira organizacional. Visão, negociação entre lideranças, corte de prioridade entre squads, decisão estrutural que afeta várias pessoas ao mesmo tempo. Isso pede mais D do que a PM individual precisa, porque decisão em escala exige conforto com confronto.
I segue importante, e às vezes mais importante ainda, porque parte grande do trabalho de head é comunicar visão pra empresa inteira, pro board, pro investidor. C continua relevante, mas com peso menor do que no PM, já que head trabalha menos no detalhe operacional.
O ponto que mais pega em head é S baixo combinado com D alto. Quem lidera pessoas precisa fazer 1:1, desenvolver PM, reter talento, dar feedback difícil sem destruir confiança. D alto sem S resolve problema, mas perde o time pelo caminho.
Ou seja, para uma head de produto, faz sentido buscarmos D alto, I alto, S entre moderado e alto e C entre baixo e moderado.
O DISC, além de ajudar a avaliar quem está mais apta para a função, também deve ser usado para ajudar a desenvolver. Por exemplo, uma PM com I baixo se beneficia de treino deliberado sobre como comunicar ideias e influenciar pessoas. Uma head com S baixo se beneficia de ritual fixo de 1:1 e da prática da empatia.
Pra fechar com um exemplo concreto: fiz o teste no 123test.com e aqui está o meu DISC. D44, I15, S13, C28. Decisão e rigor parecem ser naturais para mim. Já influência e escuta exigem esforço deliberado, mesmo depois de anos como CPO em empresas grandes. Hoje, atuando como advisor de empresas e como PM na ReveLumi, continuo colocando energia no meu I e no meu S.
DISC não escolhe quem vira PM ou head. Mostra onde vai precisar de mais disciplina pra desenvolver o que não vem de graça.
Se você está considerando trazer alguém de outras áreas para ser PM, ou se você mesma está considerando essa migração de carreira, minha recomendação é analisar o perfil DISC esperado de uma pessoa PM e avaliar a necessidade de desenvolver essas soft skills, além das hard skills necessárias para ser PM, o que você pode aprender nos cursos de mercado sobre gestão de produto.
Para desenvolver essas soft skills, o recomendado é a prática deliberada com feedback constante. Cursos aqui vão ser de pouca ajuda. Busque mentoria com alguém forte exatamente onde você é fraca. Pode ser a sua líder ou alguém de outra área da empresa, que estará te acompanhando no seu dia a dia, ou alguém de mercado, que não te acompanhará no dia a dia, mas poderá trazer uma visão externa. Exponha-se a situações que você sabe que são necessárias, mas com as quais você se sinta desconfortável: apresentação para públicos diferentes, conversas com clientes, entre outras. Soft skill se desenvolve fazendo, errando e ajustando, com alguém de fora observando o que você mesma não consegue ver.
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Será que as pessoas se abrem com uma IA?
Esse é o tema da semana na minha nova newsletter, Listen to Decide, onde falo sobre a importância de ouvir clientes, técnicas para fazer isso melhor e o que estamos aprendendo enquanto construímos a ReveLumi. Tudo com um objetivo: tomar decisões melhores a partir de conversas reais.
Ajudo empresas e lideranças (CPOs, heads de produto, CTOs, CEOs, tech founders e heads de transformação digital) a conectar negócios e tecnologia por meio de treinamentos e consultoria focados em gestão de produtos e transformação digital.
Na Gyaco, acreditamos no poder das conversas para promover reflexão e aprendizado. Por isso, temos o podcast Produto em Pauta, com episódios toda quinta-feira.
A série principal é Mentorias: conversas com profissionais de produto, partindo da ideia de que as perguntas de uma pessoa muitas vezes são as perguntas de muitas outras. Exploramos desafios concretos e transformamos experiência em aprendizados práticos que você pode aplicar no seu próprio contexto.
Disponível no YouTube e no Spotify. Gravado em português e, no YouTube, com legendas em inglês.
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