Se você tem um produto B2B focado em clientes maiores, a pessoa gestora de produto deve estar totalmente atenta às solicitações especiais. Os clientes são poucos, mas todos são especiais e exigem atendimento personalizado. A gestora de produto deve ter cuidado e não implementar funcionalidades que serão utilizadas por apenas um cliente. No entanto, pedidos de um cliente, principalmente os maiores, sempre serão prioridade nesse cenário.
Então isso significa que devemos fazer tudo o que os grandes clientes exigem?
A resposta curta é: não! Você está gerenciando um produto, então dois aspectos importantes do gerenciamento de produtos ainda se aplicam:
A resposta mais longa é: não, mas você ainda terá que gerenciar os pedidos especiais. Existem algumas técnicas que podem nos ajudar a lidar com esses pedidos especiais:
Essas técnicas ajudarão você a produtizar as exceções, a considerar as possíveis exceções como parte do seu produto. As solicitações de exceção são uma grande parte de produtos B2B SaaS. Se você encarar essas solicitações de exceções com uma mentalidade de produto, com as técnicas aqui apresentadas será mais fácil construir um produto escalável.
Novos pedidos especiais surgem durante o processo de vendas. Cada uma dessas solicitações especiais exigirá tempo do gerente de produto e da equipe de desenvolvimento de produto. A equipe precisa entender a solicitação especial, o problema subjacente e as opções de solução de design que podem ser usadas com outros clientes. Isso levará tempo do gerente de produto e da equipe.
Idealmente, a equipe usará as técnicas descritas anteriormente para lidar com as solicitações especiais de maneira escalável. Assim que o time começar a usar essas técnicas, a necessidade de interagir com os clientes para cada solicitação provavelmente persistirá ou até aumentará. A equipe de vendas solicitará que o gerente de produto tenha reuniões com o cliente e o ajudará a mostrar ao cliente quais são as opções técnicas disponíveis para atender à solicitação.
O primeiro passo é treinar a equipe de vendas. No entanto, isso não será suficiente. A pessoa gestora de produto continuará sendo solicitada a participar de reuniões para responder a perguntas técnicas. Para ajudar nessa questão, devemos criar uma nova função, a pessoa técnica de vendas, também conhecida como engenheira de vendas ou pré-vendas, alguém com formação técnica que se envolverá em discussões técnicas com o cliente durante o processo de vendas.
Às vezes, essa função, por conter a palavra “vendas”, é colocada sob a liderança de vendas. É uma possibilidade, mas pode levar a um desalinhamento de incentivos. Sob a liderança de vendas, o incentivo é o número de vendas. Assim, se uma engenheira de vendas está demorando muito para projetar a solução e outras solicitações atrasam, uma nova engenheira de vendas é contratada, aumentando o quadro de funcionários e, consequentemente, o custo de venda. Uma alternativa é colocar essa posição sob a liderança da gestão de produtos, de modo que o foco seja a capacitação de vendas, o que significa fornecer à equipe de vendas as ferramentas necessárias para realizar vendas sem a necessidade de um engenheiro de vendas.
Supondo que tudo corra bem na negociação e o cliente decida comprar seu produto, se houver customizações a serem feitas, é necessário um trabalho adicional, seja por módulos, por configuração avançada e/ou por integração. Sem o devido cuidado, é bem provável que isso acabe caindo no backlog do time de desenvolvimento de produto, o que não é o ideal, já que esse trabalho é específico para atender a determinada solicitação do cliente, enquanto o time de desenvolvimento de produto deveria estar trabalhando em coisas que poderiam ser utilizadas pela maioria dos clientes.
Para ajudar nessa questão, devemos criar uma segunda função, chamada de serviços profissionais. Uma pessoa com essa função trabalha nesse tipo de projeto configurando um novo cliente com uso das técnicas de customização do produto (módulos, configuração avançada e/ou integração). Devem ser pessoas com habilidades técnicas capazes de fazer o trabalho de customização necessário para configurar o produto para cada novo cliente.
Os serviços profissionais podem ser realizados por equipe própria da empresa que oferece o produto e/ou por terceiros. Por exemplo, para implementar SAP, Salesforce ou Zendesk, você pode optar por usar serviços profissionais deles ou de terceiros certificados que tenham conhecimento e experiência na implementação e personalização do software. Este trabalho é normalmente cobrado como taxa de instalação.
Mudança cultural não é tarefa fácil, pois requer mudança de comportamento. Mesmo em situações em que racionalmente todos concordam que é preciso mudar, o hábito faz as pessoas voltarem a se comportar da forma antiga. Neste capítulo, compartilhei algumas técnicas que usei para conseguir trabalhar a mudança de comportamento, mas não são as únicas. Fique à vontade para criar seus próprios hacks com base no contexto em que você está vivendo sua jornada de transformação digital.
Esse artigo é mais um trecho do meu livro mais recente “Transformação digital e cultura de produto: Como colocar a tecnologia no centro da estratégia da sua empresa“, que vou também disponibilizar aqui no blog. Até o momento, já publiquei por aqui:
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Na Gyaco, acreditamos no poder das conversas para promover reflexão e aprendizado. Por isso, temos o podcast Produto em Pauta, com episódios toda quinta-feira.
A série principal é Mentorias: conversas com profissionais de produto, partindo da ideia de que as perguntas de uma pessoa muitas vezes são as perguntas de muitas outras. Exploramos desafios concretos e transformamos experiência em aprendizados práticos que você pode aplicar no seu próprio contexto.
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